O primeiro diagnóstico da doença de Parkinson, disfunção neurológica conhecida pela perda progressiva de dopamina no cérebro, foi feito pelo Dr. James Parkinson em 1817. De lá para cá, muito se estudou sobre o problema. As informações de diagnóstico não mudaram muito, mas as estratégias de tratamento, especialmente as técnicas para cirurgia de Parkinson, tiveram substancial avanço. Mesmo sem cura, os procedimentos cirúrgicos contribuem de forma exponencial para a qualidade de vida dos pacientes. Para isso, compreender quais são as indicações da cirurgia de Parkinson e quais podem ser os impactos é relevante para optar pelo tratamento.
Existem três vertentes para o tratamento da Doença de Parkinson:
“Os tratamentos para a doença de Parkinson são bastante eficazes – desde o uso de remédios até a cirurgia. Apesar da evolução da doença, a maioria dos pacientes consegue controlar alguns dos sintomas por meio da medicação oral. Mas, em alguns casos, o próprio remédio, em longo prazo, pode gerar efeitos adversos de piora dos sintomas do movimento ou perder sua eficácia, por exemplo. Para esses casos a cirurgia é especialmente indicada, tanto quanto para os que evoluem naturalmente com o agravamento dos tremores e rigidez das mãos”, explica Dr. Arthur Cukiert, neurocirurgião e diretor da Clínica.
O tratamento reabilitacional envolve atividade física para proporcionar autonomia ao paciente. “Conforme a progressão da patologia, os exercícios podem ser supervisionados, mas é importante que a pessoa se mantenha ativa independentemente das dificuldades”, orienta o especialista.
A cirurgia para a doença de Parkinson tem o objetivo de controlar o tremor e a rigidez do indivíduo. O procedimento é chamado de Deep Brain Stimulation – traduzido como Estimulação Cerebral Profunda e consiste na implantação de eletrodos para modular os estímulos elétricos na região do cérebro afetada pela doença.
A cirurgia possui duas etapas. A primeira pode ser realizada com o paciente acordado ou sob anestesia. Nesta fase, é realizada uma pequena incisão na pele e uma pequena abertura do crânio para abrir espaço para o neurocirurgião alcançar com os eletrodos a região afetada. Quando realizada com o paciente acordado, este responde aos estímulos orientados pelo neurocirurgião até que o tremor e a rigidez estejam estabilizados. “É o momento em que o médico se certifica que posicionou o eletrodo no local correto”, explica o médico.
Na segunda fase, sempre com o paciente anestesiado, os eletrodos são conduzidos por um fio por baixo da pele para a fixação abaixo da região da clavícula. Ali, coloca-se uma bateria (um marcapasso similar ao utilizado no coração) que funcionará como um gerador de sinais para os eletrodos dispostos dentro do cérebro.
O procedimento não lesiona estruturas do cérebro, sendo totalmente reversível – caso seja necessário. A recuperação é rápida e o paciente costuma receber alta em dois dias, com retorno ao consultório médico em uma semana.
O paciente consegue desfrutar dos benefícios da cirurgia a partir da consulta com o neurocirurgião para a retirada dos pontos, pois é neste momento que a bateria será ligada. As mudanças mais visíveis são redução da quantidade e da dose das medicações, controle dos movimentos involuntários e redução na intensidade da rigidez e tremor. Dr. Arthur reforça: “A cirurgia não é curativa, mas minimiza os efeitos da doença, melhorando (e muito!) suas atividades de vida diária”.
Muitos pacientes acreditam que para ser candidato à cirurgia de Parkinson basta ser diagnosticado. No entanto, existem algumas condições prévias para tal.
Em primeiro lugar, o indivíduo deve apresentar um quadro importante de comprometimento dos sintomas motores, mas não tanto a ponto de a cirurgia não ser mais efetiva. Essa condição pode se dar tanto pela evolução natural do quadro quanto dos efeitos adversos das medicações.
Identificado que o paciente está apto a ser operado, o neurocirurgião realiza uma avaliação cognitiva e neuropsiquiátrica, pois em casos que há comprometimento cognitivo muito severo a cirurgia pode não ser indicada. Feito isso, é testado o nível de interação do paciente com a levodopa. Avalia-se o organismo do indivíduo sob uso e sem o uso da substância. Os indivíduos que responderam à levodopa em algum momento de sua doença têm melhores resultados com a cirurgia.
Este conteúdo não substitui a orientação do especialista. Para esclarecer quaisquer dúvidas e realizar diagnósticos, consulte o seu médico.